
Nesta quarta feira, 4 de Janeiro de 2011, o goleiro Marcos pendurou as luvas e se aposentou da carreira de jogador de futebol. Encerrou-se uma carreira que começou em 1992, no Palmeiras, e terminou em 2011, no mesmo Palmeiras. Teve uma carreira vitoriosa jogando por um único clube. Parafraseando a torcida do Santos, isto é “um orgulho que nem todos podem ter”.
Marcos foi (e é) especial, por vários motivos.
Fundamental na conquista palmeirense na Libertadores de 1999 e no título da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2002, Marcos é um vencedor dentro das quatro linhas.
Junto com Rogério Ceni, amigo e goleiro do arquirrival São Paulo, Marcos fazia parte de uma espécie em extinção no futebol brasileiro. A espécie de jogadores esforçados, que falam o que pensam e que podem, de fato, beijar o escudo da camisa que vestem. Todavia, ao contrário de Rogério, idolatrado pela torcida do São Paulo e odiado Brasil afora, Marcos conseguiu o “impossível”.
No século XXI, o patriotismo da bola (pensamento de que só se deve valorizar o seu clube e odiar tudo relacionado com os rivais) ganhou ainda mais força no cenário nacional. É palmeirense odiando corintiano, flamenguista abominando vascaíno, colorado queimando gremista (quem não se lembra do Gre-Nal em 2006 (se não me engano)?).
Marcos foi o único jogador, dentre os quais jogaram no Brasil neste passado recente, que conseguiu ser amado por todos. Não só pelo (bom) goleiro que foi, mas também por sua simpatia. São Marcos é inteligente e bem-humorado.
Em 2003, o "santo" recusou uma proposta milionária da Inglaterra para salvar o Palmeiras da segunda divisão. Quem mais fez isso?
Sem falar nas lesões. Pelo amor de Deus, como este cara teve azar. Tenho certeza que o próprio Marcos perdeu a conta de quantos problemas físicos ele teve ao longo destes quase 20 anos de Palmeiras. E mesmo assim, (quase) sempre ele deu a volta por cima, em consequência de muita dedicação de sua parte. No futebol atual, qualquer cara dedicado merece uma reverência.
Em geral, eu detesto o Palmeiras. Respeito na hora de escrever sobre, mas detesto mesmo, não escondo de ninguém. Odeio especialmente a torcida organizada alviverde, não gosto da diretoria, agora que Marcos se aposentou não “simpatizo” por nenhum jogador do elenco atual, etc.
Mas Marcos é um caso à parte. É daqueles jogadores que você tem o dever de, no futuro ou no presente, dizer para seus filhos que você viu jogar.
Valeu, Marcão.
Tenha certeza que você tem espaço no time do Joca. De cotovelo quebrado e tudo.
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